Planejar uma rota de cicloturismo envolve muito mais do que escolher um caminho bonito para pedalar. É sobre segurança, logística, acessibilidade, experiência do usuário e, principalmente, responsabilidade com o território. Seja você um cicloturista organizando sua própria cicloviagem ou um gestor público desenvolvendo uma rota para sua região, seguir alguns critérios é essencial para garantir um percurso seguro, agradável e viável.
Neste guia, reunimos os principais pontos de atenção e boas práticas apresentadas pela Mantivelo e também discutidas na palestra Como montar uma rota segura de cicloturismo?, disponível em nosso canal no YouTube.
1. Avalie o contexto do território
Antes de colocar qualquer ponto no mapa, é preciso entender:
- Qual o perfil dos cicloturistas que usam ou usarão a rota?
(Iniciantes? Ciclistas experientes? Famílias? Grupos mistos?) - Quais são os acessos e conexões viárias disponíveis?
- Existe oferta de serviços básicos?
(alimentação, hospedagem, transporte, oficinas, redes de apoio) - Quais são as características ambientais e o clima local?
Rotas seguras respeitam o território e suas limitações. Em regiões como a Mantiqueira, por exemplo, é comum lidar com grandes variações de altitude, estradas de terra e áreas com pouca cobertura de sinal.
2. Escolha vias adequadas e com menor risco
A seleção das vias é o coração do processo. Para priorizar a segurança:
Evite
- Rodovias com grande fluxo de veículos
- Vias com alta velocidade
- Estradas sem acostamento
- Trechos com curvas fechadas e baixa visibilidade
- Pontes estreitas sem passagem lateral
Prefira
- Ruas secundárias
- Estradas rurais de baixo fluxo
- Ciclovias e ciclofaixas permanentes
- Trechos com acostamento largo
- Vias compartilhadas apenas quando forem realmente seguras
Uma dica importante: sempre percorra o trajeto presencialmente. Nenhum mapa digital substitui a leitura real do terreno.
3. Observe a altimetria e o nível de esforço
Desnível acumulado pode transformar uma viagem tranquila em um grande perrengue — especialmente para iniciantes.
Ao planejar a rota:
- Analise a altimetria total
- Considere rampas acima de 10% de inclinação
- Identifique pontos de descanso
- Avalie trechos longos em subida (sobretudo sob sol intenso)
Para rotas turísticas, recomenda-se que o nível de dificuldade seja compatível com a proposta da região e com o público que se quer atrair.

4. Mapeie pontos de apoio e infraestrutura
Uma rota segura sempre prevê:
- Pontos de água
- Alimentação
- Banheiros
- Hospedagem
- Locais de descanso
- Mercados e farmácias
- Oficinas e borracharias
- Sinalização clara (direcional, interpretativa e preventiva)
Rotas sem suporte costumam afastar cicloturistas iniciantes e aumentar o risco em situações de emergência.
5. Preveja riscos e crie alternativas
Nenhuma rota está livre de imprevistos, mas é possível reduzir riscos com:
- Trechos alternativos em caso de bloqueios
- Rotas de fuga em emergências
- Locais seguros para parar
- Identificação de áreas de risco ambiental (enchentes, quedas de barreira)
- Consideração sazonal: chuvas, neblina, calor extremo
A comunicação também é importante: a rota deve disponibilizar informações claras sobre o que esperar.
6. Rotas precisam ser sinalizadas e comunicadas
Um bom percurso não existe apenas no mapa. Ele precisa ser:
- Sinalizado no território
- Documentado em guias, mapas e plataformas
- Comunicado para moradores, gestores e usuários
A sinalização reduz riscos, orienta cicloturistas e fortalece o turismo local.
7. Aprenda com quem já faz isso: palestras da Mantivelo no YouTube
Para quem quer se aprofundar, a Mantivelo disponibiliza conteúdos completos e gratuitos sobre criação e gestão de rotas de cicloturismo.
Você encontra tudo no nosso canal no YouTube: @Mantivelo
Como montar uma rota segura de cicloturismo
Nossa palestra técnica sobre o tema traz orientações práticas sobre análise de vias, segurança, planejamento e boas práticas.
Assista aqui:
Percursos para cicloturismo, com Adriana Nascimento
Referência no MTB brasileiro, Adriana explica como identificar um bom percurso, avaliar desafios do terreno e construir rotas sólidas e seguras para diferentes públicos.
O vídeo está disponível no nosso canal e complementa perfeitamente este guia.
Esses conteúdos aprofundam pontos-chave, trazem exemplos reais e ajudam tanto cicloturistas quanto gestores públicos a criar rotas mais completas e seguras.
8. Teste antes de lançar
Antes de divulgar a rota oficialmente:
- Faça testes internos
- Pedale com grupos distintos
- Coleta percepções dos usuários
- Ajuste trechos perigosos
- Valide serviços e infraestrutura
Rotas seguras são construídas com escuta ativa e ajustes contínuos.
Montar uma rota segura de cicloturismo é um trabalho técnico, colaborativo e contínuo. Envolve planejamento territorial, leitura de mapa, testes reais, redes de serviço e políticas públicas que apoiem a mobilidade ativa e o turismo de natureza.
Quanto mais estruturadas forem as rotas, mais pessoas poderão pedalar com segurança, criando valor para os municípios e fortalecendo o cicloturismo como vetor de desenvolvimento sustentável.
E lembre-se: para se aprofundar no assunto, explore nossos conteúdos no canal da Mantivelo no YouTube.




